Escoamento só emperra se setor de transportes criar problema

Cadastrado em 13/02/2017


O diretor executivo do Movimento Pró-Logística, Edeon Vaz, considera que o escoamento da produção em Mato Grosso deve transcorrer sem obstáculos e só sentirá efeitos negativos caso os caminhoneiros criem algum problema. Ele comentou que, excetuando essa situação específica, o agronegócio não deve sofrer com a parte logística porque o movimento nas ferrovias e portos e as colheitas estão andando normalmente.

No início do mês, o  RDNews mostrou que, além de uma supersafra cuja produção de grãos pode chegar a 53 mi de toneladas no Estado, o escoamento da safra já aumentou em 17% o fluxo de veículos nas rodovias. Outra questão é que um dos líderes do movimento dos caminhoneiros em Mato Grosso, Gilson Baitaca, alertou, anteriormente, que o Estado pode sofrer com uma crise no setor de transportes. Baitaca argumentou que a frota dos veículos tem diminuído no Estado e que uma das soluções para o problema seria a criação de uma tabela mínima de frete.

No entanto, Edeon rechaça a solução proposta pela classe. "Nós temos defendido em vários fóruns que a questão do preço mínimo [do frete] não funciona e não funcionará. O frete é um reflexo direto de uma lei de mercado. Quando se tem pouco caminhão e muita carga, o preço [do frete] aumenta. Quando tem muito caminhão e pouca carga, o preço abaixa, não temos como interferir nisso", defendeu.

Edeon, que também é presidente da Câmara Temática de Infraestrutura e Logística do Agronegócio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), disse que só enxerga dificuldades no escoamento da produção agrícola de Mato Grosso caso haja algum tipo de ação mais enfática dos caminhoneiros. "Se não houver paralisação [dos caminhoneiros], e esperamos que eles tenham juízo para não fazer isso, o escoamento deve transcorrer normalmente. As colheitas já estão andando bem e o movimento nas ferrovias e portos também", argumentou.
Ele afirmou, porém, que sabe dos anseios dos caminhoneiros e que reconhece que os profissionais têm sofrido. "Nós entendemos que a situação dos caminhoneiros, principalmente os autônomos, está bem difícil. Nós gostaríamos que eles conseguissem o suficiente para se manter na atividade. Mas o fato é que o setor produtivo já paga muito caro o frete e essa lei é completamente inviável", pontuou.

Escoamento

O representante do Movimento Pró Logística exemplificou que o escoamento da produção agrícola no Norte do Estado deverá ser efetuado para os portos de Mirituba (PA) e Porto Velho (RO).

Edeon também comentou que a expectativa do setor agrícola é que os projetos de alongamento e de construção de várias ferrovias, como a Vicente Vuolo e Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico), saiam do papel. Ele disse que o meio serve como alternativa para a movimentação nas estradas, mas que, por conta da falta de rotas e questões burocráticas, o escoamento pelo local ainda oferece certo prejuízo. "O frete do transporte ferroviário deve ser pelo menos 30% menor do que o do rodoviário, isso é o que acontece na maioria dos países do mundo. No nosso caso, porém, não temos visto isso. O valor aqui chega a ser igual entre os dois", apontou.

Ele finalizou dizendo que o único projeto que sente que existe um encaminhamento real é o da Ferrovia EF-170, que corta os estados de Mato Grosso e Pará. Também conhecida como "Ferrogrão", a previsão é que uma licitação do empreendimento seja lançada no segundo semestre desse ano. 

Outro lado

Miguel Mendes, diretor executivo da Associação dos Transportadores de Carga de Mato Grosso (ATC/MT), afirmou que as paralisações conseguiram o seu objetivo e que, muito provavelmente, não acontecerá novamente uma ação parecida com os bloqueios realizados pelos caminhoneiros no início do ano.

"Não acredito que deva ter um outro movimento. O que nós queríamos era chamar a atenção do poder público, estadual e federal, sobre a dificuldade que o setor de transportes tem passado.  Além disso, nossa intenção foi também chamar a atenção dos produtores, para explicar para eles porque eles estão pagando um frete tão caro", comentou.
Ele também negou uma possível greve geral do setor, já que, segundo ele, o campo é muito segmentado e, por isso, as demandas diferem entre eles. 

Fonte: RD News 
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