Atraso na duplicação da BR-116 gera prejuízo de R$ 1 milhão por dia no RS

Cadastrado em 24/03/2017


O prejuízo com logística provocado pelo atraso na duplicação da BR-116 no Rio Grande do Sul chega a R$ 1 milhão por dia, de acordo com o Sindicato da Indústria da Construção de Estradas, Pavimentação e Obras de Terraplanagem (Sicepot). As perdas acumuladas desde 2014, quando a obra deveria ter sido concluída, seriam suficientes para duplicar duas rodovias.

Os gastos aumentam porque os caminhões que vão e voltam do Porto de Rio Grande demoram mais tempo para percorrer o trajeto com a pista simples. As ultrapassagens se tornam um risco permanente. Isso sem falar no custo da manutenção dos veículos, e no desgaste dos motoristas que dirigem por mais tempo e, devido à lentidão, gastam mais combustível.

O orçamento inicial da obra era de R$ 800 milhões. Foram aplicados R$ 400 milhões, mas, devido ao atraso, são necessários outros R$ 800 milhões para a obra ficar pronta. Ainda de acordo com o sindicato, falta concluir 40% da duplicação.

"Tem lotes mais adiantados, lotes mais atrasados, e isso depende da capacidade de cada empresa produzir. Nas na essência, temos em torno de 60% da obra pronta", diz o presidente da entidade, Cylon Fernandes Rosa Neto.


Os empreiteiros dizem ter prejuízo com a demora. "O setor teve um insumo muito importante dentro da obra, que é o concreto asfáltico, com um reajuste unilateral da Petrobras em torno de 60% e não houve ainda um mecanismo de equilíbrio dentro dos contratos para contornar essa questão", justifica Cylon.

A construção de uma estrada tem várias fases. A primeira é a drenagem, seguida por terraplenagem. Depois, são colocadas a sub-base e a base com brita graduada. O revestimento asfáltico é a penúltima etapa, seguida pela sinalização.

Entre Porto Alegre e Pelotas, no Sul do estado, há nove lotes. Cada um está em uma situação diferente. No trecho de Barra do Ribeiro, é possível observar uma camada de asfalto já colocada. A poucos metros de distância, no entanto, há um trecho apenas com brita e outro, somente com terraplenagem. Marcas de pneus mostram que muitos motoristas assumem o risco de trafegar pela estrada inacabada.

"Este ano, estamos programando atacar os dois pontos mais conflitantes que temos hoje em obras na BR-116, que são o Viaduto de Turuçu, que tem previsão de concluirmos no primeiro semestre e liberarmos o tráfego por cima, e o Viaduto de Barra do Ribeiro", diz o superintendente regional do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) Hiratan da Silva.

A demora causa transtornos para comerciantes como Renato Zanol, dono de um posto de combustíveis que, devido à obra, está separado da estrada por um paredão. Segundo ele, as vendas caíram pela metade.

"A gente sente muito essa obra, mas faz parte do progresso, fazer o quê? Estamos tendo prejuízo", diz o empresário.

A família do empresário Jeferson Pinzon Maiser também tem um estabelecimento na beira da BR-116, e contabiliza prejuízo devido à demora nas obras. "Deixamos de contratar novos funcionários, por exemplo, por causa dessa situação, que vem se arrastando há um bom tempo e nós não temos uma previsão de quando vai ser terminada a obra", lamenta.

Enquanto a obra não acontece, os carros dividem espaço com os caminhões, o que também não é fácil para os motoristas. "É isso o que está perturbando bastante o pessoal em questão da demora, porque atrapalha bastante o fluxo dos carros menores", afirma o antenista Victor da Silva Crespo.

A situação é ainda mais complicada para quem dirige ambulâncias, como o motorista Benhur Martins Bruno. "Muitos respeitam a ambulância, muitos carros abrem para o acostamento, mas a maioria não abre", diz.

O caminhoneiro Raul Roberto Lange lamenta as más condições que enfrenta ao trafegar na rodovia. "Nem tem explicação. É uma falta de consideração com quem paga imposto", desabafa.

Raul, no entanto, não desanima e sobe no caminhão para seguir viagem. "Nós que colocamos o Brasil para frente."

Fonte: RBS TV
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