Laudos de produtos recolhidos não indicam risco ao consumo, diz Blairo Maggi

Cadastrado em 28/03/2017



O Ministro da Agricultura, Blairo Maggi, afirmou nesta segunda-feira (27) que análises feitas em amostras de alimentos produzidos por 3 dos 6 frigoríficos interditados após a Operação Carne Fraca, apontam que o consumo desses produtos não traz risco para a saúde das pessoas.

De acordo com o ministro, foram recolhidas, em supermercados de 22 estados, 174 amostras de carne produzida pelos 21 frigoríficos investigados na operação. Dessas 174, informou Maggi, os laudos de 12 não indicaram risco para o consumo. O resultado das demais 162 ainda não é conhecido.

Os 12 laudos cujos resultados foram divulgados nesta segunda, se referem a alimentos produzidos nas unidades de Curitiba (PR) e Jaraguá do Sul (SC) do frigorífico Peccin, e na unidade de Mineiros (GO), da BRF.

As unidade da Peccin de Jaraguá do Sul e de Curitiba são investigadas por utilização de carne estragada em salsicha e linguiça, utilização de carne mecanicamente separada acima do permitido, uso de aditivos acima do limite ou de aditivos proibidos.
Já a unidade da BRF em Mineiros produz carne de aves, incluindo peru, e é investigada por corrupção, embaraço da fiscalização internacional e nacional e tentativa de evitar suspensão de exportação.

"Temos 12 laudos que já temos confirmação e, desses 12, nenhum apresenta qualquer perigo ao consumo humano das mercadorias que foram coletadas", disse o ministro Blairo Maggi em entrevista a jornalistas.

Interdições

Nesta segunda, o ministério elevou para 6 o número de frigoríficos investigados pela Carne Fraca e que foram interditados por suspeita de irregularidades. Segundo o secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Luís Eduardo Rangel, as mercadorias dessas seis unidades estão recolhidas e não podem ser vendidas.

Ainda de acordo com ele, o ministério fará análise dessas mercadorias e a venda só será liberada com laudo indicando que não há problema com os produtos.

Das três unidades cuja interdição foi anunciada nesta segunda-feira, uma trabalha com farinha de osso, uma com lácteos e outra com produtos embutidos.

Segundo o ministro, um dos problemas encontrados foi percentual de amido de milho maior que o permitido na produção de salsicha. Nos últimos três frigoríficos interditados, o único que produz salsicha é o Souza Ramos.

No frigorifico Fábrica de Farinha de Carne Castro, que produz farinha usada em ração, foi verificada mercadoria fora do prazo. Já o frigorífico SSPMA, que produz derivados do leite, como queijos, foi interditado por dificultar a fiscalização, informou Maggi.

"Quando o fiscal chegou lá não havia ninguém para recebê-lo. Eles fecharam a planta e ninguém ficou para atender o fiscal", disse o ministro. Veja no fim deste texto o que dizem os frigoríficos interditados.

Indicações políticas

Antes de conceder a entrevista, Maggi se reuniu com os 27 superintendentes agropecuários do ministério nos estados e no Distrito Federal - destes, informou, 17 são indicações políticas e 10 servidores de carreira.

"Mas nenhum dos que são de carreira assumiram seus postos sem se articularem politicamente", disse o ministro. Maggi destacou que, se a indicação política é um defeito, esse defeito não é só do Ministério da Agricultura, mas da política brasileira.
"O que eu disse é que as pessoas podem ter chegado ao posto com apoio político, mas a responsabilidade deles é com o Brasil e com o Ministério da Agricultura", afirmou.

Segundo o ministro, na terça ou quarta-feira o ministério deve indicar os interventores que atuarão nas superintendências do Paraná e de Goiás.

Exportações

Blairo Maggi destacou que espera que espera um novo aumento no valor médio diário das exportações de carne brasileira, que registrou queda na semana passada, após a deflagração da Carne Fraca.

"Eu espero que ali na frente a gente vá encontrar um número invertido. Vamos ter dias que muito provavelmente vamos exportar mais do que exportamos normalmente porque tem produtos nos portos para embarcar", afirmou.

Nesta segunda, o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços divulgou que o valor médio diário de exportação de carne na semana passada foi 19% menor do que o verificado entre os dias 1º e 17 de março, antes de a Carne Fraca ter sido deflagrada.

Esse queda é reflexo das restrições que alguns países compradores de carne brasileira impuseram às importações do produto.
O governo brasileiro fará às 21h30 desta segunda uma videoconferência com o governo de Hong Kong para esclarecer dúvidas do país. Hong Kong é um dos maiores compradores de carnes brasileira e mantém paralisadas todas as importações.

O que dizem as empresas

O dono da Farinha de Carnes Castro, Valdemar Lima de Castro, disse que identificou nove cabeças de gado fora dos padrões exigidos pelo Ministério da Agricultura em seu frigorífico, o que causou a interdição.

Segundo ele, porém, a culpa é da empresa que lhe forneceu as peças, cujo nome não foi revelado. Castro disse que o problema verificado na empresa é "muito pequeno" e não deveria causar uma interdição. Para ele, uma notificação ou uma multa seriam suficientes.

Castro afirmou que já está tomando as providências para que o frigorífico seja reaberto e para que o problema não se repita.
A Industria de Laticínios SSPMA Ltda informou que "é reconhecida por produzir há mais de 20 anos produtos de qualidade no mercado brasileiro de queijos". A empresa alega perseguição e diz que a interdição "não se justifica."

"No ano passado, infelizmente, [o SSPMA] passou a ser perseguido de forma abusiva e arbitrária por fiscais inescrupulosos. A interdição não se justifica, pois nossa produção atende a todas as certificações e padrões de qualidade e segurança de alimentos, absolutamente dentro dos padrões exigidos pela legislação", informou em nota

"A empresa tem certeza que tudo isso será demonstrado durante as investigações e pede o rápido esclarecimento dos fatos", completou.

Fonte: G1
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