Tocantins: frete da soja por ferrovia está mais caro do que por rodovia

Cadastrado em 26/02/2018


Os produtores de soja de Tocantins têm um terminal ferroviário à disposição para escoar a safra. Só que essa facilidade não está saindo tão em conta quanto se esperava e ainda é mais vantajoso o frete rodoviário, do que realizar o transporte pela ferrovia.

Melhor do que uma lavoura produtiva, com expectativa de produtividade acima de 60 sacas por hectare, seria contar com uma logística ágil e barata para escoar esta produção. O produtor Décio Hiert está a menos de cinco quilômetros do terminal ferroviário de Porto Nacional, no Tocantins, que foi inaugurado recentemente e, em tese, traria muitas vantagens para quem quer escoar da soja.

"Temos poucos silos no estado e eles não surgem no mesmo ritmo que a produção cresce. A vantagem é que quando está meio cheio, enviamos para a ferrovia, que é uma válvula de escape. Muito bom isso aí", diz Hiert.

Mas não é tão simples assim. Hiert faz parte dos usuários do sistema que reclamam do preço do frete para escoar a produção. Segundo a Aprosoja Tocantins, os agricultores do estado desembolsam um total de até R$ 180 por tonelada, juntando os gastos rodoviários e ferroviários. O presidente da associação diz que o valor é quase o mesmo do frete exclusivamente por rodovias.

"Quando se leva soja para Itaqui, no Maranhão, gastamos R$ 180 por tonelada. As empresas compradoras operam tanto na ferrovia, quanto na rodovia e o custo é praticamente o mesmo. A ferrovia teria que trazer um ganho de custo para o produtor e isso não tá acontecendo", diz o presidente da entidade, Maurício Buffon.

A empresa que opera a ferrovia no Tocantins não revela valores para escoamento. mas alega que a infraestrutura precária do estado, como a falta de rodovias de acesso aos terminais ferroviários, faz com que o preço da logística não diminua para o produtor.

"A ferrovia é parte de um sistema integrado. Muitas vezes a eficiência gerada na ferrovia, pode se perder em outros pontos da cadeia. Aqui, especificamente no corredor Centro-Norte, a gente tem o desafio muito grande da ponta ferroviária, dos sistemas que acessam nossos terminais e é importante que todo esse sistema esteja funcionando de forma eficiente pra que realmente o ganho chegue a todos", gerente de estratégia e Mercado da VLI, Pedro Azevedo.

Diante do problema, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, disse que está em fase final um estudo logístico que busca trazer integração entre os modais de escoamento. O projeto deve beneficiar, inclusive, os produtores do leste de Mato Grosso, que estão mais próximos do terminal ferroviário de porto nacional.

"Não é uma política do Ministério da Agricultura, de construir rodovias, mas sim de apoiar as construções. Mas estamos apresentando um plano macro de logística, agora no mês de março, sob a ótica da agricultura, qual é o melhor caminho pro produto sair, não é para as pessoas saírem, para o produto sair. Esperamos que isso tenha uma colaboração muito grande pro governo tomar decisões de seus investimentos, daqui pra frente", explica Maggi.


Fonte: Projeto Soja Brasil

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