Retomada do porto dá novo fôlego para Antonina

Cadastrado em 26/12/2011

Bom desempenho do terminal movimenta o comércio da cidade, que passa a depender menos do fluxo de turistas

A retomada do Porto de Antonina, que fecha 2011 como o melhor ano de sua história, movimentando 1,1 milhão de toneladas - 47% a mais que em 2004, no auge do porto, e quatro vezes o volume do ano passado -, está reaquecendo a economia da cidade litorânea. Empreendedores que atendiam apenas turistas estão reorientando seus negócios, de olho na geração de empregos provocada pelo terminal da Ponta do Félix.

Paulo Pacholeck, presidente da Associação Comercial e Industrial Portuária de Antonina (Acipa), estima que cerca de 40% da movimentação financeira da cidade seja resultado da atividade portuária. Na época do porto parado, a movimentação era praticamente zero e o turismo alavancava a economia. Depois das enxurradas de março de 2011, o turismo entrou em queda, mas ainda é responsável ao menos 30% da movimentação da cidade; o restante vem do dinheiro do funcionalismo público, dos pensionistas e do comércio. "O bom desempenho do porto se reflete diretamente no comércio da cidade. Se tem trabalho no porto, consequentemente há mais trabalho nos mercados, armazéns, casas lotéricas", diz.

Empregos

Hoje, o terminal de cargas de Ponta do Félix emprega diretamente 750 trabalhadores e, indiretamente, mais 300 pessoas na cidade de quase 19 mil habitantes. Nos períodos de baixa, principalmente em 2009, o terminal chegou a ter apenas 170 trabalhadores, de acordo com Jean Rodrigues da Veiga, presidente do Sindicato dos Estivadores local. Nesse período a cidade sofreu um grande impacto financeiro negativo. "A vocação da cidade sempre foi portuária. Em 1780 Antonina já exportava erva-mate. Trabalhar no porto é o que o antoninense sabe fazer de melhor, mas entre 2008 e 2009, quando não havia trabalho, todo mundo teve de se virar", diz Pacholeck.

Nesse período, muitos trabalhadores portuários deixaram a cidade em busca de emprego em lugares como Santos (SP) e Itajaí (SC). Os mais jovens foram tentar a sorte em Curitiba. Para quem ficou em Antonina, o jeito foi fazer bicos na construção civil, serviços de pintura para funcionários da prefeitura e para os aposentados da cidade, ou tentar arrumar um emprego no comércio.

Agora o bom desempenho do porto causa um efeito colateral na cidade: a falta de mão de obra no comércio. O empresário Wilson Clio, que está montando uma panificadora, não consegue encontrar funcionários. "O rapaz que iria trabalhar como padeiro desistiu para trabalhar no porto. Agora estou procurando um novo profissional, mas está difícil", conta. Essa reviravolta na economia trouxe de volta muitos antoninenses que tinham saído da cidade, que também já "importa" mão de obra. O construtor Alexandre da Rosa, po exemplo, saiu de Fazenda Rio Grande (região metropolitana de Curitiba) para trabalhar em Antonina, na reforma do hospital da cidade.

Atividade aumenta, arrecadação também

O crescimento das atividades do porto se reflete nos cofres públicos. Segundo o prefeito de Antonina, Carlos Augusto Machado, a retomada mudou a arrecadação do município, que deixaria de ganhar R$ 1 milhão por ano sem o terminal da Ponta do Félix. "No ano passado o porto estava parado. Hoje ele paga uma média de R$ 85 mil por mês de ISS [Imposto Sobre Serviço]", afirma. O valor corresponde a 40% do ISS arrecadado por Antonina, que tem uma receita total de R$ 33 milhões por ano. "Do imposto com o porto aplicamos 26% em saúde e 25% em educação. Os outros 49% são destinados para recursos livres. Essa arrecadação acaba ajudando a prefeitura em todos os sentidos, principalmente nas pequenas obras. Toda a nossa rede pluvial está comprometida pelas enchentes de março e esses recursos são usados nessas obras", afirma o prefeito. (OE)

Caminhoneiro gera receita o ano todo

Com o Porto de Antonina funcionando durante os dias de semana e o ano todo, empresários viram uma oportunidade de lucrar não apenas com os turistas que vêm à cidade nos fins de semana ou no verão. Durval Freire Neto, que mora a 50 metros da entrada do terminal de Ponta do Félix, onde já trabalhou, abriu uma lanchonete para servir os funcionários que trabalham no porto, mas principalmente os caminhoneiros que ficam na entrada da Ponta do Félix aguardando a vez de carregar ou descarregar.

Em vez das refeições típicas litorâneas, Freire colocou em seu cardápio pratos comuns nos restaurantes de postos de gasolina - chuleta com polenta, virado de feijão, sanduíches e outros. Cada prato custa no máximo R$ 8. "Abro a lanchonete às 7 da manhã e não fecho antes da meia-noite. Com isso tem serviço para todos da minha família", diz.

A maioria dos hotéis da cidade foi planejada para receber turistas. Mas, segundo André José Pereira Maurício, da diretoria da Associação dos Empreen­dedores de Serviços Turísticos de Antonina (Aestur), o novo cenário está forçando mudanças. "Hoje a movimentação do turismo ainda está reduzida e, por necessidade, tivemos de nos adaptar", diz.

Maurício é proprietário do hotel Capelista, com 20 quartos, em que a movimentação portuária durante a semana já supera a turística nos fins de semana. "Eu alugo em média cinco quartos nos fins de semana para um público mais exigente, que vem com a família e quer conforto durante todo o dia", afirma. "Em compensação, de segunda a sexta, que eram dias parados, a lotação vive quase completa e me preocupo apenas com pernoite e café da manhã. Muito mais fácil", compara. Os hóspedes dos dias úteis nem ligam para computador com internet ou para a "pracinha", a área em que os visitantes podem relaxar.

Maurício cobra a mesma diária independentemente do dia da semana, e a estratégia compensou: se o empresário dependesse apenas do turismo, ele precisaria de 16 fins de semana - ou seja, quatro meses - para ter o mesmo faturamento que consegue com os pernoites de segunda a sexta no período de um mês. (OE)

Fonte: Gazeta do Povo

Área do Distribuidor
Logo Noma

telefones Anfir

Copyright - 2011 - Desenvolvido por InovaClick