Bom preço pago por soja, milho e arroz levaram ao recorde da safra

Cadastrado em 11/05/2011

O aumento da produção de soja, arroz e milho, principais responsáveis pelo recorde da safra nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas estimada para o mês de abril pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), se deve em grande parte ao bom preço pago por esses alimentos. De acordo com Mauro André Andreazzi, gerente da Coordenação de Agropecuária do IBGE, "a soja tem o melhor preço de produção", que é o valor pago em relação à quantidade produzida.

Segundo Andreazzi, nos últimos meses de 2010 o produtor escolheu plantar soja em vez de milho por causa exatamente do preço. "A soja vem mantendo o preço bom, pelo fato de ser uma commodity valorizada. O produtor de soja tem conseguido margem de lucro com um mercado garantido", ressaltou ele. Em 72 milhões de toneladas de soja colhidas, 37 milhões vão para o consumo interno e o restante para o exterior.

"E por que se plantou menos milho? No momento em que o milho foi plantado, em setembro, o preço estava baixo. Para que o produtor iria plantar milho se não cobria o gasto dele?", explicou Andreazzi. "O mercado reagiu, e o preço melhorou. Isso incentivou o plantio do milho de segunda safra, em janeiro e fevereiro", complementou.

Café também se destaca
Segundo Andreazzi, no caso do arroz, no momento do plantio, em 2010, a saca de 50 quilos valia quase a metade de agora. Com isso, hoje, os produtores vão se beneficiar dos preços do produto. "Mas o arroz, neste momento, está com um preço normal. O produtor consegue pagar o custo e ainda tem lucro", observou. Andreazzi destaca que, com relação ao plantio do arroz, o Rio Grande do Sul tem muitas áreas são propícias apenas para esta cultura. Isso dificulta a possibilidade de o produtor poder escolher plantar algo mais rentável.

O gerente da Coordenação de Agropecuária do IBGE ainda destacou que o café vem apresentando um bom preço, "já que os estoques mundiais estão baixos". De acordo com Andreazzi, em 2010, o café colhido não foi de muito boa qualidade porque choveu muito. "Até teve uma produção boa, mas as plantas floresceram de forma diferente. Por isso, na colheita, tinha frutos maduros e verdes misturados", explicou. Com a queda dos estoques, o preço do café se elevou. "E, em 2011, como o café não consegue ter dois anos seguidos de alta produção por causa do tipo de cultura, o preço vai continuar bom. E a qualidade deve ser boa, pois está chovendo dentro da normalidade", concluiu.

Veja os números da safra recorde
O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) do IBGE, divulgado nesta terça-feira (10), indicou uma produção recorde de 158,7 milhões de toneladas, valor 6% maior do que a safra registrada em 2010 (149,7 milhões de toneladas), que foi também foi recorde para a época.

A área a ser colhida em 2011, de 48,6 milhões de hectares, é 4,3% acima da área colhida em 2010. O arroz, o milho e a soja, respondem por 82,5% da área a ser colhida registrando, em relação ao ano anterior, variações de 2,1%, 4,1% e 2,8%. Quanto à produção os acréscimos são, nessa ordem, de 18,4%, 3,0% e 6,3%.

"Em 2010, só em agosto bateu o recorde da safra de 2008. Em 2011, cada levantamento está com uma estimativa maior, otimista. Já em fevereiro começamos a notar que a produção de 2011 vai ser maior do que a de 2010", disse Mauro André Andreazzi, gerente da Coordenação de Agropecuária do IBGE.

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